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quinta-feira, 3 de abril de 2014

► Cá estamos nós...

Cá estamos nós,
Em um sentido que já não faz mais sentido.
Cá estamos nós,
Sentindo amargamente o que já não deveríamos mais sentir.
Cá estamos nós,
Nos remoendo no pó da agonia que foi moído dia a dia.
Cá estamos nós,
Sem chão, em vão, lutando, perdidos na imensidão.
Cá estamos nós,
Sem som, mudos, calados, sem coragem, sem voz.
Cá estamos nós,
A mercê da vontade dos ventos, imersos nos contratempos.
Cá estamos nós,
Doloridos, sofridos, desnutridos de amor.
Cá estamos nós,
Repletos, mas incompletos de afeto.
Cá estamos nós,
Tão soltos e envoltos de tristeza.
Cá estamos nós,
Intermitentes, subservientes aos desmandos da vida.
Cá estamos nós,
Questionando a existência, pedindo apenas um pouco de transparência.
Cá estamos nós,
Na desonra de falta de objetivo, tudo é tão subjetivo.
Cá estamos nós e lá se foram todos eles.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

► CORPO OCO [texto]

Não sei se o reflexo neste espelho sou eu, tudo é tão diferente agora, eu estou diferente agora... Ele me fez assim.
E meu cabelo? Oque houve com meu cabelo? Está tão... tão sujo, feio, maltratado. Minha pele, tão pálida e seca.
Essa voz?! Oque é essa voz? Por que grita comigo? Cale a boca! Quem é você? Oque eu te fiz? Me deixe em paz.
Eu era tão linda, todos me desejavam, me queriam, jogavam-se aos meus pés e se arrastavam por mim, me veneravam, me bajulavam, me adulavam. Eu era ovacionada onde quer que fosse.
Eu fui maravilhosa, impiedosa, corajosa, impetuosa, arrogante e petulante.
O que vejo agora no espelho é apenas mais uma mulherzinha, uma qualquer, uma dona de casa frustrada, uma executiva fracassada, enfim, humilhada.
Meu orgulho, meu egoísmo, minha ira e meu ódio me destruíram, sim, eles me destruíram. Hoje, sou apenas alguém que sofre, sou resto, sou dejeto e realmente nada mais. Meu peito está oco, na verdade meu corpo está oco, ouço o eco da minha dor e solidão. Coisas que eu acreditava, mostraram-se ser apenas o início do problema e, a cada instante, segundo e hora que passa esse vazio me consome e me corrói por dentro.
Minha fraquezas foram reveladas, meu rosto está à mercê de quem queria cortá-lo, minha pele morta está sensível a qualquer forma de carinho e, tudo que temo agora é que aqueles a quem ferí, me perdoem.
Não há humilhação pior do que o perdão daqueles que esperamos que nos agridam e nos machuquem, assim como eu mesma já fiz.
Para meu desespero e agonia, ainda existem pessoas dispostas a perdoar, a oferecer a outra face. Só a mera menção dessa possibilidade já me enoja, desprezo todos que venham a pensar na opção do perdão.
Não pedi nada à vocês, pobres desgraçados! Não destruam meu mundo, ou o pouco que dele restou, me deixem em paz com minha soberba, me deixem alimentar minha ira e meu doce egoísmo. Se quiserem provar o sabor açucarado de meu veneno destilado de mágoas, não precisa muito, é só virem até mim, pobres desgraçados, mortos de fome.
Ainda possuo um resquício de beleza, oque vem a abastecer minha soberba, não tenho vergonha da minha supremacia afinal, é nela que apóio minha soberania.
Humildade me causa asco, fiquem vocês, miseráveis, com suas ambições por um mundo de igualdade. Podem ficar aí mesmo, parem de avançar salivando no meu sucesso, no meu brilho e no meu brilho e no meu império.
De mim vocês não terão nem o sentimento de pena, não me implorem misericórdia. O que é isso? Limpem seus ouvidos imundos, sujos de palavras ternas e ouçam bem: para mim, vocês todos são nada!

Autor: Cláudio Nanti
texto escrito em 18.Nov.2005

segunda-feira, 11 de março de 2013

► O NOVO!


Chega um dia em nossas vidas que tudo parece mudar e sentimos medo. O novo chega, assim sem ser convidado, desconhecido, como uma visita inesperada que teima em não ir embora.
O novo é esperança e desespero, chega sempre quando a vida parece meio obstruída, sem saída, sem opções. Tememos sempre fazer a escolha errada, afinal, a decisão mal tomada é conseqüência arcada.
É como força do destino, impossível fugir. às vezes o novo chega através de uma palavra de alguém que admiramos, às vezes vem de repente mesmo.
Porém, o novo é sempre bem vindo, carregado de horizontes e oportunidades, alegrias e aprendizados e é claro, tentações.
Deveríamos receber o novo como quem recebe a brisa numa tarde de verão, de braços abertos e olhos fechados, não há maneira melhor de senti-lo.
O novo nos dá fôlego, nos dá força, nos revigora, nos dá luz em caminhos, muitas vezes, tão obscuros.
Não tema o novo, receba sorrindo e quando ele não vier busque-o em tudo que o cerca e o encontrará, lindo, esperando por você.
Desfrutemos do novo como quem desfruta uma caminhada na areia da praia, como quem desfruta um bom livro, uma música, uma gargalhada solta.
O novo é maravilhoso como o sol que entra pela janela ao amanhecer, nos aquece, ao corpo e a alma, nos traz felicidade.
Inspire o novo como se inspirasse o oxigênio, ele é assim mesmo, toma conta dos nossos poros, invadindo nossas células e mente, fundamental para nos manter vivos.
O novo é magnífico como a água que sacia nossa sede, lava nossa alma.
O novo é belo, surpreendente e magnânimo.
Para mim o novo chegou ontem, já não é mais tão novo e mesmo assim ainda me faz feliz, cheio de planos, idéias e sonhos.
Alias, o novo é um sonho e talvez para alguns o único que, entre tantos outros, vai realmente se tornar realidade.
O novo é sempre novidade, seja para os mais novos, seja para os mais velhos.
O novo sempre vem, de novo.


autor: Cláudio Nanti
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